Definitivamente a Holanda é um país que dá valor a cada indivíduo e sabe reconhecê-los pelo o que realmente são.

A paranaense Marina Heuschkel escolheu a Holanda como destino de estudos pelo programa ciência sem fronteiras atraída pela excelência em pesquisa científica, mas encontrou muito mais do que isso durante a sua estadia na Holanda.

Fietsen, alstublieft e stroopwafels. Há 2 anos atrás, assim como muitos outros alunos que foram para a Holanda, eu Marina waffle não sabia o significado destas palavras. Mal eu poderia imaginar o que elas ainda me reservavam. O Ciências sem Fronteiras me embarcou para um país que ao meu ver me esperava com muita diversidade, moinhos e um forte centro de pesquisas na área médica. Mas foi muito mais do que isso.

            Fui para a Radboud University Nijmegen. Nijmegen é uma das cidades mais antigas da Holanda, com mais de 2000 anos e cerca de 165.000 habitantes. Fica no interior do país, na divisa com a Alemanha (30 minutos de bicicleta) a cerca de uma hora e meia de trem de Amsterdã. Foi muito fácil se apaixonar pela cidade e pelo dia-a-dia nela. A cidade era do tamanho ideal, pequena para ocasionalmente encontrar seus amigos na rua e grande o suficiente para sempre ter algo acontecendo. A primeira coisa que fiz com o meu “mentor group”, da semana de orientação, foi comprar a minha fietsen. E ela foi minha grande companheira durante todo o ano. É indescritível, a segurança, infraestrutura e liberdade que se tem. Era meu meio de transporte (ou estilo de vida, como os holandeses dizem) para a Universidade, mercado, festas e inclusive viagens.

            Na Universidade, segui alguns cursos, com excelentes professores, os quais mantém uma relação bem informal mas ao mesmo tempo respeitosa com os alunos. Com um sistema de ensino bastante diferente do que eu estava acostumada no Brasil, haviam muitos deveres de casa, debates em sala e proximidade do conhecimento ao mercado de trabalho. Mas a minha grande paixão foi o meu estágio em pesquisa sobre câncer de bexiga no Radboud Institute for Molecular Life Science Nijmegen. Certamente, foi bastante demandante, no entanto nunca aprendi tanto. O laboratório possuía equipamentos de última geração, uma ampla rotina de experimentos e profissionais altamente qualificados, sempre dispostos a ajudar.

 Marina bikeO meu senso crítico e liberdade de criar experimentos e hipóteses foi bastante incentivado. Trabalhar com um grupo holandês me ensinou muito sobre respeito, horários (pontualidade é tudo) e que ser extremamente “direto ao ponto” não é grosseria e sim um jeito mais prático de comunicação.  Não foi fácil entrar na rotina de um laboratório tão grande, mas depois de muitos alstublieft, me sentia parte deles. O projeto no qual estava inserida mais tarde foi publicado em um congresso internacional da área.

Apesar de tantas horas de dedicação pelo estágio sempre havia tempo para sair com os amigos e viajar. A vida de um estudante na Holanda é bastante agitada. A partir da minha semana de orientação fiz amizades que com certeza serão para a vida. Sempre havia jantares, festas, feiras para comer um stroopwafels quentinho e viagens organizadas muitas vezes pela universidade para diferentes cidades da Holanda.

            Definitivamente a Holanda é um país que dá valor a cada indivíduo e sabe reconhece-los pelo o que eles realmente são. Durante o intercâmbio eu tive a honra de oportunidade de conhecer e viver em um país que vai além das tulipas, em que: a chuva é constante, e o vento também, os bebês andam mesmo assim na garupa das bicicletas, as mulheres são fortes e independentes, tudo funciona, quase todos falam inglês, pegar o trem e estar em outra cidade em poucos minutos é normal, comer pão com queijo e sopa no almoço não é tão ruim como parece e a diversidade e o respeito andam juntos. Finalmente, na Holanda eu descobri que um pedacinho meu foi e sempre será Holandês. 

  • Marina Augusto Heuschkel
  • Curso Biomedicina
  • Universidade holandesa: Radboud University 
  • Universidade brasileira: UFPR
última modificação 2015-03-18 12:29