A Holanda por Nina Cavancanti

Entrevistamos a Nina, autora do blog Entretulipas.com, que contou detalhes da sua experiência na Holanda.

Imagina nascer e crescer em um local como Recife, que tem uma ligação fortíssima com a Holanda, e um dia poder conhecer pessoalmente a cultura e a arquitetura que tanto influenciaram a sua cidade? Só podia mesmo resultar em muita história pra contar!  E foi assim  que a Study in Holland Ambassador Marina Cavalcanti, mais conhecida como Nina, teve a ideia de criar o entretulipas.com, blog fantástico que a gente vive indicando nas nossas redes sociais e aqui mesmo no site. 

Confira abaixo o depoimento da Marina e não deixe de ler a entrevista completa aqui.(475 kB)

Parece clichê dizer isso, mas na realidade a Holanda foi que me escolheu.  Eu, inicialmente, tinha em mente outros países, mas também pesquisava lugares menos comuns entre intercambistas, por ser mais barato e pela minha curiosidade de conhecer culturas diferentes.   As tulipas, os moinhos, as vaquinhas sempre me encantavam, mas quando eu pensei na oportunidade de conhecer o país sede da Companhia das Índias Ocidentais, que sua história se confunde com a história da minha cidade, eu não pensei duas vezes, lá fui eu!Nina Tulipas

Como dizem por aí, viver fora é pagar mico e eu passei por muitas experiências engraçadas na Holanda! Já caí da bike tentando estacioná-la, na frente do supermercado (e dei meia volta, com tanta vergonha que tive); já troquei todo o meu dinheiro, em uma viagem, para a moeda do país de destino e, na escala da viagem, eu não tinha dinheiro para ir ao banheiro; já carreguei uma bicicleta pela janela de um carro.... O bom é que tenho história para contar! No dia a dia também me deparei com muitas situações inusitadas, desde uma noiva, chegando à igreja de bicicleta, até ver as pessoas trocando de roupa ao ar livre na praia.

Quando eu morei na Holanda, eu mandava um e-mail diário para os meus parentes e amigos aqui no Brasil com as minhas descobertas, o que eu tinha feito e as minhas aventuras (desde o céu estrelado surpreendente, na volta para casa de uma noitada com as amigas, até um pato diferente que tinha visto em um dos canais). Quando eu voltei, eu comecei a ver que tinha bastante conteúdo, e me perguntei: porque não disponibilizar esse conteúdo para ajudar outras pessoas? Foi por isso que eu criei o blog.  O post de maior sucesso é um dos meus favoritos: Van Gogh: da miséria à glória é um post fantástico sobre a vida do pintor holandês Van Gogh. O post sobre Delft, que é uma cidade super charmosa e terra de Vermeer, é o segundo mais lido e está na minha lista também de top 5.

Uma das perguntas que mais escuto é se a Holanda é mesmo tão liberal assim, bom isso é difícil de responder, porque a palavra liberdade dá uma série de interpretações. Se uma pessoa entende como liberdade andar na rua nu, com certeza a Holanda é tão liberal quanto qualquer outro país: você será preso. Já se você entende como liberdade o fato de você puder andar em (quase) todos os lugares sem medo, puder expressar a sua opinião e ter a certeza de que será ouvido, ou frequentar qualquer lugar sem sofrer qualquer preconceito, a Holanda é liberal sim. Tudo depende do ponto de vista.

O curioso é que Da mesma forma que há estereótipos da Holanda aqui no Brasil, há de holandeses com os brasileiros. Um dos comentários que mais ouvia lá, quando eu falava que era brasileira, era: “Brasil?! Ow, Salsa, español, Rio de Janeiro, Samba.” Eu, pernambucana, já ficava logo braba e tentava da minha forma “introduzir” um pouco da cultura brasileira: frevo, maracatu, português,  etc. Certa vez eu levei um bolo de rolo de presente para um casal de amigos, e ensinei qual a forma tradicional de se partir o bolo de rolo para servir (em fatias beeeem finas). Pronto! Foi só eu falar isso, que eles faziam ao pé da letra, e toda vez que eu ia visitá-los eu tinha raiva, porque estava morrendo de vontade comer um pedacinho de bolo de rolo, eles ofereciam, mas partiam tão fino que não dava nem para matar a vontade!

Adaptação cultural é uma questão de estudo, de conhecimento, de aprendizado, de aceitação. Da mesma forma que você vai ter que aceitar o dutch way of life,  as pessoas ao seu redor vão ter que aceitar você, o seu jeito, e isso vai se moldando. É um aprendizado mútuo Duas das características mais fortes dos holandeses são a honestidade e a sinceridade. Eles são extremamente diretos, e não fazem rodeio nenhum para dizer o que pensam. Para quem gosta muito de “confete” (leia-se elogio), vai custar para se adaptar ao “dutch way of life”.

Alguns detalhes do dia a dia também poder causar certa estranheza, por exemplo, nunca chegue dando beijinho e abraçando um holandês (a) quando conhecê-lo! Não cometa essa gafe que eu cometi, para não passar vergonha. A maioria dos holandeses homens espera que a mulher tome iniciativa na paquera, e tem brasileira que não se adapta. Os holandeses comem pão na hora do almoço. Os brasileiros comem comida quente. Ter que pagar para ir ao banheiro de qualquer restaurante pode até ser chato, mas você terá a certeza de que irá encontrá-lo limpo. São situações e coisas que com o tempo essa adaptação vai acontecendo, se a pessoa estiver aberta a isso. Eles são muito reservados, mas aos poucos, com sinceridade e honestidade, você conquista o seu espaço (e ganha dois beijinhos, abraço e um amigo para a vida toda).

Outra lição: lembre-se que você é estrangeiro. No seu país, existem leis que podem ser completamente diferentes das de outro país. Se você não quiser passar longos anos proibido de viajar para onde quer que seja, então é bom se comportar. Não se iluda com a imagem que muita gente passa que: ah, na Europa (ou onde quer que seja) não acontece roubo, só aqui no Brasil. Isso não é verdade! Conheço várias pessoas que já foram roubadas e furtadas em várias cidades Europeias e americanas. A violência, de fato, não é igual a do Brasil, mas não esqueça aquele “terceiro olho na bolsa/carteira” que todos nós brasileiros temos.

Em relação ao deslocamento, dá pra se virar tranquilamente só com bicicleta e transporte público. Há um desconto do transporte público para estudantes de universidades do país. Então é bom entrar em contato com a sua universidade holandesa e perguntar como proceder para emitir sua carteirinha. Em termos de custo benefício, a melhor dica para economizar na Holanda, sem dúvida, é comprar uma bicicleta. Outra dica importante  é ser adepto a prática “faça você mesmo”. Quer mudar a cor do quarto? Compre a tinta e chame os amigos para ajudar a pintar. Vai mudar-se? Chame os amigos para carregar os móveis. Não pense que ter uma faxineira para limpar a sua casa é barato. Esteja disposto a desembolsar uma boa quantia para ter essa regalia. O mesmo vale para cuidados como fazer unha, cabelo, depilação e afins. Saia do Brasil sabendo fazer essas coisas by yourself. Para economizar com vestuário é sempre legal comprar na época das promoções (mudanças de estação: janeiro e agosto). Os preços são excelentes. Se você não dispensa umas comprinhas, tem um post super bacana no Entretulipas que é um guia de compras: http://www.entretulipas.com/2011/01/guia-pratico-de-lojas-na-holanda.html Eletrônicos e cosméticos são mais baratos que no Brasil, isso é fato.

Uma das experiências mais marcantes da minha estadia no país foi andar de bike em uma estrada sem nenhum poste, no meio de uma plantação de uvas e olhar para o céu todo estrelado. Ver pela primeira vez, os campos de tulipas floridos e pedalar nas estradas, ao redor deles também foi impressionante. É belíssimo! Tá bom, se não eu vou chorar muito com essas lembranças! 

última modificação 2013-09-16 21:17